31 de janeiro de 2012

Perda

"Num templo Japonês, existe um poema gravado na pedra chamado "Perda".
Inicialmente, tinha três palavras. Mas o poeta riscou-as até desaparecerem.
Não é possivel ler perda... Só é possivel senti-la."


Quando a minha mãe faleceu, deu-se a maior perda da minha vida.
Até essa altura, cada uma que se atravessava no meu caminho, 
corroía-me por dentro e enfraquecia-me por fora.

Mas eu acreditei que Ela continuava comigo, que continuaria a viver no meu coração. 
Esta convicção proporcionou um pequeno milagre.
Hoje, cada perda que tenho na vida, leva-me a ganhar um pouco mais de mim.

A última que tive, essa somente vem apurar o meu carácter e o respeito que tenho, tanto por mim, como por quem me rodeia.
E o meu gosto pelo Natal, que renasceu...

E eu agradeço, por isso.


João Pedro

13 comentários:

Olinda disse...

sabes, a perda de uma mãe não se sente - vai-se sentindo. e é, por isso, infinita. felizes os que a sentem quando não tiveram muito tempo para a ir sentindo - só para o tempo vindouro, que é sempre bem mais curto.

Brown Eyes disse...

Perda a Mãe, os Pais faz doer. No entanto a recordação deles com amor é melhor que tê-los e sentirmo-nos desprezados. Conheci alguém que sofreu tanto com os pais que dizia: Preferia ser órfão.
Beijinhos

Breno S. Amorim disse...

Perdas são sempre difíceis de lidar. Ainda mais quando perdemos pessoas especiais, sem as quais não nos imaginamos.
Mas devemos ser fortes e sábios para tirarmos lições desses infortúnios.

João disse...

Enquanto escrevia este texto, as lágrimas também o quiseram ler, Olinda. Há alturas em que me faz tanta falta...

João disse...

Para ser mãe ou pai, não basta trazer filhos ao mundo. Porque quem tiver amor para dar, até adoptando uma criança, sente-a como filho.
Sempre tive este pensamento comigo, Mary.
"A melhor mãe do mundo, não é a mãe perfeita. É a mãe que dá o seu melhor".
E isto aplica-se a tudo na vida.
Beijinho.

João disse...

De tudo podemos tirar ilações, na minha opinião. Da felicidade e da tristeza. Na alegria e na dor. Mas custa, Breno. Possa, custa...

LUZ disse...

Boa noite João,

Vi o seu blogue com olhos de ver, de norte a sul e de leste a oeste.
Diz-se tímido e outra palavra, de que não me lembro, agora, terminada em ez.
Não, não é nada.
Vi, que admira Pessoa, Florbela Espanca, António Aleixo e já são pilares, marcos, mais que suficientes, da cultura portuguesa.
O João escreve de forma peculiar, às vezes entristecida, outras mais desafogadas.
Escreve, porque precisa de falar, de extrapolar, e aqui se dá, aqui se alivia.

já reparei, que responde aos comentários no seu blogue, o que não é muito prático, para quem os deixa, mas é muito cómodo, sob todos os aspectos, para quem os recebe.
O blogue é seu, proceda, como entender.

Excelente fim de semana.
Abraço, de consideração.

afectosecumplicidades.blogspot.com

Fragmentos Intemporais disse...

Podia passar aqui horas a falar-te de algo semelhante...
Mas de nada me vale agora.
Aceito a perda, aprendo a viver com ela e a retirar a melhor lição do resto que fica...


O meu beijo. Boa semana João.

João disse...

Fiquei lisonjeado com as suas palavras, Luz. Sabe sempre bem receber uma visita assim, neste espaço, que é parte de mim. Ainda este sábado conversei sobre o porquê de escrever. Escrevo para refletir, para organizar pensamentos, sentimentos. Escrevo menos hoje, porque era dificil partilhar algo meu, com outra pessoa. Por timidez, falta de confiança, talvez... Por isso conversava de caneta na mão e no silêncio das palavras, partilhava as alegrias e tristezas com uma folha qualquer. Ou um simples guardanapo de café. Quantas vezes...
Gosto de me expressar assim.
Em relação aos vossos comentários, para mim só assim faz sentido, Luz. A troca de ideias, de opiniões é o que faz este "Das Tripas Coração" respirar. Cada comentário vosso é uma inspiração ao qual respondo com uma expiração minha.

Já fui visitar o seu "Afectos e Cumplicidades" e gostei... Já guardei o link para poder voltar.

Uma boa semana para si, Luz.

João disse...

E que mais se pode fazer, para além de aceitar a perda, aprender a viver com ela e retirar a melhor lição do resto que fica...
Se por cada uma (e mais haverão), for esta a resposta, não haverá perda que nos deixe caídos. As quedas fazem parte da vida. Mas são estas que nos mostram o valor de nos reerguermos de novo e continuarmos o caminho. Sempre de cabeça erguida, Fragmentos. Basta para isso, sermos fieis a nós próprios e aos nossos princípios.

Beijinho e boa semana para ti.

LUZ disse...

Boa tarde João,

Voltei ao seu recanto, no canto, no recanto do seu peito.
E porquê? Para "Bom entendedor, meia palavra basta".
Tinha curiosidade em ler a sua resposta ao meu comentário, e... confessou-se, um pouco de si, mas eu não sou exigente, e nas palavras, que não disse, ainda e agora, ficou o melhor de si.
Já pôs a sua fotografia, meia translúcida, no painel do meu blogue.
É bom, faz-me compainha, porque eu preciso de estímulos, como você, visuais ou não.
A minha casa não tem porta, mas tem janelas, facilmente, ultrapásseis.
Um dia destes, e quando menos eu esperar, você, João, que tem Terra, está deixando, derramando o seu peito, ali, de livre vontade.
Aguardo, com sabedoria.

Boa semana, da forma, que melhor lhe souber bem, com as palavras, sempre suas, sempre minhas.

Abraço de estima.

LUZ disse...

JOÃO,

Agradeço ter guardado o link, mas espero, que tenha guardado mais, mais de mim e do que escrevo.

Saudações.

João disse...

Agora, vou guardando mais de si, á medida que for lendo as suas palavras, Luz. Um blog e o que nele está escrito é uma excelente forma de conhecermos a pessoa que está por trás...

Saudações... Leoninas. (desculpe, mas não resisti LOL)