12 de janeiro de 2012

Homenagem á "nossa" Florbela Espanca

Florbela Espanca

(Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930), batizada como Flor Bela Lobo, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo.

Mentiras


Tu julgas que eu não sei que tu me mentes
Quando o teu doce olhar pousa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito meu?

Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo
O bom sonho da feroz realidade...
Não palpita d´amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!

Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais
O gelo do teu peito de granito...

Mas fingo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!


Florbela Espanca, em "A Mensageira das Violetas"

4 comentários:

Olinda disse...

o que mais gosto nela são as vísceras tão fáceis de entender. gostava muito de tâ-la conhecido e entrado em prosa sobre a sua poesia. :-)

João disse...

A Olinda não é mais nem menos, que a Florbela do seu tempo.
Já que tudo tem o seu lugar... Tanto em prosa, como em poesia. ;-)

Olinda disse...

isso soube-me a elogio. :-)
(mas sou apenas Olinda e basta me) :-)

João disse...

E ela é apenas a Florbela.
Já eu, sou apenas o João. Mas estou em crer que, tanto comigo, como com ela, também é o que nos basta. ;-)