22 de janeiro de 2012

António Aleixo



Considerado um dos poetas populares algarvios de maior relevo, famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo também é recordado por ter sido simples, humilde e semi-analfabeto, e ainda assim ter deixado como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX.





CINCO QUADRAS DO ANTÓNIO ALEIXO


Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.

Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.

Esses por quem não te interessas
produzem quanto consomes:
vivem das tuas promessas
ganhando o pão que tu comes.

Não me dêem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!

Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme,
quando ele acordar, acaba.


António Aleixo

2 comentários:

Olinda disse...

sem dúvida que a extemporaneidade é uma atracção.

(fará se não fosse, de todo, analfabeto.) :-)

João disse...

Extemporâneo? Diria mesmo, intemporal. Se o que é descrito por ele, anda de braço dado com os defeitos do Homem.

(Este homem, é a prova que a inteligencia de raciocinio e a perspicácia, não estão directamente relacionadas com o conhecimento adquirido. Sim... Até onde poderia ir, se não fosse iletrado). :-)