5 de dezembro de 2011

Boca e Mente

Alimento incoerências...
Engulo o que sinto,
digo o que não penso.
São diferentes frequências.

Minto, omito, engano-me...
Violo a vontade
e rasgo palavras,
mutilo o meu pensamento.

Chego a casa em sangue,
mas falta-me o sono.
Contudo não largo o "chicote",
quero sofrer mais um pouco.
Ainda não me doí o lombo
como acho que devia.
Ou queria?

Então prolongo o meu festim...
Auto-flagelação, porque não?

Finalmente a doer, começo a gostar.
Obviamente que persisto.

Serei masoquista?
Sádico, dupla personalidade.
Ou talvez...
Sejam só requintes de malvadez.

A mente, por vezes, entra por caminhos que de fora não conseguimos ver,
alheados que estamos a observar o mundano...
João Pedro / 2008

                                    

2 comentários:

Dois Rios disse...

Uma expiação?
===
Boca e mente não se encaixam. Há uma eternidade entre pensar/sentir e verbalizar. Falo por mim, é claro.

Beijo, João!

I.

João disse...

Procuro encurtar essa eternidade, que em mim também existe. Vou tentando, Inês... E não desisto.

Beijinho