16 de fevereiro de 2012

Amor Paternal

The fathers love, de Lyn Deutsch






















Quem devia compreender melhor
ouvir-me e falar comigo,
é quem me entende pior,
que não consegue ser amigo.



Após me ter posto no mundo
não saí bem como queria.
Acaba a relação por ir ao fundo
só por não ser quem poderia.


Mas fácil também não sou.
A quem mais irá doer?!
E como nada mudou,
acabámos por nos perder.


Mesmo assim, a vida continua
contigo ou sem te ter.
Cada um fica na sua,
gosto de ti mesmo sem te ver.

João Pedro / 1996 (À volta disso)

2 comentários:

Brown Eyes disse...

Ser Pai ou Mãe não é tarefa fácil. Falta muitas vezes o conhecimento para conseguir analisar o filho e educá-lo da melhor maneira. Há pais que não sabem, não foram felizes na infância e acabam por levar para a vida as frustrações que sentiram. Numa família os problemas vão passando de geração em geração e muitas vezes nós devíamos ter essa noção para podermos cortar com ela a tempo dos nossos filhos não sofrerem também. Se calhar não vais perceber o que te estou a dizer mas no meio do que disso haveria muito mais que dizer. Beijinhos

João disse...

Não precisas de dizer mais, Mary. Percebo perfeitamente o sentido das tuas palavras. E mais te digo. Ainda não sou Pai. Mas tenho a certeza que farei um filho muito mais feliz, do que conseguiram fazer a mim. Não porque não quiseram, mas porque não souberam fazer melhor. Valorizo muito certas coisas que o meu pai, por exemplo, não valoriza. Carinho, respeito por quem é, não por quem desejaria que fosse. Porque principalmente, quero que o meu filho/a seja feliz à sua maneira. Algo que tive que conquistar... À força!
Hoje já não é à força, mas continuo a conquistar todos os dias. Pelo menos, faço por isso. Hoje com o meu pai, a palavra é tolerância. Eu sei que o Velhote gosta de mim. E eu dele. Beijinho.